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Vinco na orelha pode sinalizar risco cardíaco?

Sinal de Frank é associado à doença coronariana, mas não fecha diagnóstico.

4 min de leituraPublicado em 23/02/2026
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Vinco na orelha pode sinalizar risco cardíaco?

Nos últimos meses, a morte de um influenciador digital bastante conhecido ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa. Após a divulgação de fotos antigas, muitos seguidores comentaram que ele apresentava o chamado sinal de Frank.

Esse sinal é um vinco diagonal no lóbulo da orelha que pode ter relação com problemas no coração.

A observação reacendeu debates na internet sobre possíveis “alertas visíveis” do corpo.

Existem até estudos que mostram uma associação com doença arterial coronariana, ou seja, com o entupimento das artérias do coração, mas especialistas alertam: o vinco, sozinho, não determina quem terá infarto.

O sinal pode ser uma pista. Mas quem realmente define risco são outros fatores.

Explicando o sinal de Frank

O sinal de Frank é um vinco que atravessa o lóbulo da orelha em diagonal, geralmente formando um ângulo de cerca de 45 graus.

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Fonte da imagem: Wieckowski et al. (2021)

Ele foi descrito em 1973 pelo médico Sanders T. Frank, que observou que muitos pacientes com doença arterial coronariana apresentavam esse vinco. Desde então, dezenas de estudos investigaram essa possível ligação.

E o que os estudos mostram?

Uma revisão científica publicada no Journal of Clinical Medicine analisou vários trabalhos sobre o tema. A conclusão foi clara: existe associação em muitos estudos, mas o sinal não tem precisão suficiente para ser usado como teste diagnóstico isolado.

Em outras palavras, ele pode aparecer em pessoas com doença coronariana, mas também aparece em pessoas saudáveis. E há quem tenha doença cardíaca sem apresentar o vinco.

Pensa assim: é como um alerta no painel do carro que às vezes acende quando há um problema, mas também pode acender por algo menos grave. E, pior, pode não acender mesmo quando existe defeito.

Por que isso poderia acontecer no corpo?

Ainda não existe uma explicação definitiva. Mas há hipóteses científicas plausíveis.

Uma delas sugere que o vinco poderia refletir alterações nos pequenos vasos sanguíneos e nas fibras elásticas da pele. Estudos histológicos, que analisam o tecido no microscópio, encontraram fibrose (uma espécie de cicatriz interna) e alterações vasculares na região do vinco.

Outra hipótese envolve o chamado envelhecimento biológico. Um estudo japonês encontrou associação entre o vinco bilateral e telômeros mais curtos. Telômeros são estruturas ligadas ao envelhecimento celular. Quando encurtam, indicam desgaste das células.

É como se o lóbulo da orelha fosse um espelho do que está acontecendo nas artérias. Não é prova absoluta. Mas pode ser um reflexo de um processo mais amplo de envelhecimento vascular.

Associação não é sentença

Ter o sinal de Frank não significa que a pessoa terá infarto. O risco cardiovascular é calculado com base em um conjunto de fatores bem conhecidos e validados por diretrizes médicas, como:

→ Idade;

→ Sexo;

→ Pressão alta;

→ Diabetes;

→ Colesterol elevado;

→ Tabagismo;

→ Obesidade;

→ Sedentarismo.

A Organização Mundial da Saúde e a Sociedade Brasileira de Cardiologia reforçam que esses fatores são os principais determinantes de risco.

Na prática, é como montar um quebra-cabeça. O vinco pode ser uma peça pequena. Mas as peças maiores são pressão, glicose, colesterol e estilo de vida.

Quando vale a pena prestar atenção

Se uma pessoa tem o vinco e também apresenta fatores de risco clássicos, o sinal pode servir como um “empurrão” para investigar melhor.

Sabe aquele detalhe que faz o médico dizer “vamos checar isso com mais calma”? É mais ou menos esse o papel do sinal.

Mas ninguém deve entrar em pânico ao olhar no espelho e encontrar um vinco na orelha.

Mais importante do que olhar apenas para o vinco na orelha é cuidar dos fatores que realmente aumentam o risco.

O corpo às vezes dá pistas sutis, mas a prevenção continua sendo a ferramenta mais poderosa para proteger o coração ao longo da vida.

💬 Você já tinha ouvido falar no sinal de Frank?

Conte nos comentários o que te surpreendeu ou preocupou mais.

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Vanessa MirandaEditora Técnica e Enfermeira Mestre em SaúdeRevisado por: Diogo Strauch RibeiroMédico Clínico Geral — CRM 5293516-6
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