Viver até 14 anos a mais: estudo aponta como controlar 5 fatores faz a diferença
Pesquisa global, com participação da UFSC, revela que evitar hipertensão, colesterol alto, obesidade, diabetes e tabagismo aos 50 anos pode garantir mais anos de vida e saúde.

Um grande estudo internacional, com coautoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aponta que pessoas que controlam cinco fatores clássicos de risco cardiovascular na meia-idade podem viver até 14,5 anos a mais que aquelas que convivem com todos esses fatores.
A pesquisa publicada recentemente e coordenada pelo Global Cardiovascular Risk Consortium (GCVRC) reuniu dados de 2.078.948 pessoas, de 133 estudos do tipo coorte (ou seja, acompanhadas por anos), em 39 países e seis continentes.
A parte brasileira da pesquisa foi feita por meio do estudo EpiFloripa, coordenado pela UFSC, que acompanhou cerca de 1.700 moradores de Florianópolis desde 2009/2010.
O estudo representa um avanço importante porque vai além de contextos restritos, uma vez que considerou dados globais, de diversos continentes, o que reforça a validade dos resultados em diferentes realidades.
Quais são os cinco fatores de risco?
Os cinco fatores avaliados no estudo foram:
↪︎ Pressão arterial alta (hipertensão)
↪︎ Colesterol elevado (hiperlipidemia)
↪︎ Sobrepeso ou obesidade (ou, inversamente, baixo peso)
↪︎ Diabetes
↪︎ Tabagismo (fumar)
Esses fatores são considerados “modificáveis”, ou seja, podem ser prevenidos ou controlados por mudanças no estilo de vida, tratamento médico ou políticas de saúde pública.
Entre os fatores, o controle da pressão arterial (hipertensão) foi associado ao maior ganho de anos de vida livre de doenças cardiovasculares.
O abandono do tabagismo entre 55 e 60 anos foi o que mais contribuiu para aumentar a sobrevida total.
Quanto tempo de vida pode se ganhar e com que qualidade?
De acordo com o estudo, mulheres que não têm nenhum desses cinco fatores aos 50 anos podem viver, em média, 14,5 anos a mais do que mulheres que os têm. Para os homens, o ganho estimado é de 11,8 anos.
Além do tempo total de vida, há um aumento na expectativa de vida saudável, ou seja, anos vividos sem doenças cardiovasculares. As mulheres sem fatores de risco ganharam em média 13,3 anos livres de doenças cardiovasculares, e os homens 10,6 anos.
Em termos práticos, isso significa mais anos de vida com saúde: menos risco de infartos, AVCs, problemas cardíacos e complicações associadas.
Mesmo mudanças depois dos 50 ainda valem, não é tarde demais
Um ponto importante destacado pelos autores é que não é obrigatório estar livre dos fatores de risco exatamente aos 50 anos para obter benefícios.
Se a pessoa controlar a pressão arterial ou deixar de fumar entre os 55 e 60 anos, ainda pode ganhar um número relevante de anos saudáveis a mais.
Ou seja, nunca é tarde para começar a cuidar da saúde e, mesmo com mudanças mais tardias, os ganhos podem ser expressivos.
A prevenção como foco, especialmente, no Brasil
No caso brasileiro, a presença do sistema público de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), pode tornar esse tipo de controle de risco mais viável.
Segundo a pesquisadora da UFSC, exames de pressão arterial, colesterol e glicemia, acompanhamento clínico, tratamento de diabetes e apoio à cessação do tabagismo já estão disponíveis de forma gratuita ou acessível em muitos municípios.
Isso significa que políticas de prevenção, cuidados na atenção básica e promoção de hábitos saudáveis podem fazer mais do que melhorar a saúde individual, pois podem aumentar a longevidade e reduzir a carga de doenças na população.
O estudo avalia os cinco fatores clássicos de risco, mas não considera outros determinantes de saúde, como o estilo de vida mais amplo (alimentação, atividade física), fatores sociais, ambientais ou genéticos.
Nesse contexto, a estimativa é baseada em médias populacionais, ou seja, os ganhos podem variar muito dependendo do contexto individual.
Os resultados mostram que cuidar dos principais fatores de risco ainda é uma das maneiras mais eficazes de garantir mais anos de vida e saúde.
Controlar pressão, colesterol, diabetes, peso e evitar o cigarro pode parecer básico, mas faz uma diferença enorme ao longo do tempo.
Mesmo quem começa mais tarde ainda colhe benefícios importantes. A mensagem final é clara: pequenas escolhas consistentes têm o poder de mudar o futuro da saúde de cada pessoa.



